November 26, 2017

November 18, 2017

November 16, 2017

November 16, 2017

November 14, 2017

November 14, 2017

November 12, 2017

November 11, 2017

Please reload

Posts Recentes

Pedalar, Correr e Ajudar...

August 3, 2017

1/3
Please reload

Posts Em Destaque

Unogwaja e as lições que aprendi...

July 12, 2017

Me preparar e preparar tudo o que era necessário para minha participação no Unogwaja foi um enorme esforço, em todos os sentidos...

 

Sou gaúcha, tenho 50 anos, corro há sete. Antes nunca tinha feito nenhuma atividade esportiva. Há uns dois anos ganhei a montain bike do meu irmão e comecei tímida e medrosamente a dar umas pedaladas.... e em minha doce ilusão eu faria o Unogwaja com ela. Kkkkkk . Nunca tinha andado de speed na vida, muito menos com sapatilhas e com velocidade acima de 15km/h, também não imaginava que era uma bicicleta tão cara .... A pessoa mais crua desse mundo era eu....

 

Não tinha ideia do montante financeiro que seria necessário para a minha participação, somente os 50 mil Rands da doação... Meu deus como vou fazer..kkkk

 

Soube do Unogwaja em 2014 quando me preparava para a primeira Comrades. Foi numa palestra que o Nato Amaral fez na minha cidade, Caxias dos Sul, para divulgar o Unogwaja e arrecadar fundos.

Eu desconhecia quase tudo sobre a Comrades, meus amigos Gilmar e Daniela Signori me convidaram, me apresentaram esse mundo. Quando vi o Nato pela primeira vez, vi também o nome “Unogwaja” que tocou em mim de uma forma muito intensa.

 

Fui procurar o que era e no início, por falta de conhecimento do inglês, confundi os valores da arrecadação de 50 mil Rands com 50 mil dólares e ai me acovardei e não apliquei.

Mas “UNOWAJA” não me deixou nunca mais. Na minha segunda Comrades, já mais familiarizada com o inglês vi que os valores não eram tão altos quanto eu pensava e decidi fazer tudo o que fosse possível para fazer parte do time.

Falei com meus amigos que me sugeriram conversar com o Nato e a partir daquele momento nunca, nada mais foi igual para mim.

As lições começaram. Aprendi a pedir ajuda....

 

O aprendizado com o Unogwaja veio quase que diariamente desde minha primeira ação para fazer parte.

Eu sou uma pessoa que tem uma vida boa, mas simples, tenho um trabalho que me proporciona fazer muitas coisas, mas não tenho sobras, poupança ou aplicações, além disso, meu trabalho depende da minha presença para ter dinheiro.

Quando quero dar voos mais altos tenho que trabalhar mais. Mas assim é para todas as pessoas. O que quero dizer com isso é que preciso me puxar muito para dar conta.

E assim foi.....

Eliminei tudo o que não tivesse a ver com o projeto Unogwaja 2017 . Fiquei só com meu trabalho, arrecadação, treinamento...

Me joguei por inteiro, fiz tudo o que pude com o maior envolvimento e intensidade que eu conseguia .

 

Inscrições - o processo.....

 

A preparação para a aplicação foi difícil e também uma comédia. A pessoa mais perdida desse mundo com todas aquelas solicitações em mãos sem entender NADA.

Anjos são enviados aos poucos e cada um no momento certo.

Meus queridos amigos Gilmar e Daniela padrinhos de Comrades me ampararam desde o começo em tudo, o Gil me deu de presente aulas de inglês, a Dani me socorria quase que diariamente com traduções e todo o tipo de chateação que eu a abordasse.

Respondi o questionário da aplicação e o Gil traduziu.

Fiz o texto para o vídeo e o Gil traduziu...li, reli, li novamente e chegou a data de fazer o tal vídeo, meu Deus que trabalheira.

Ficou péssimo, mas era o que eu poderia naquele momento.

E enviamos o tal vídeo. Acho que quando viram tomaram um susto, kkkkk.

Se o vídeo me deixou nervosa, a entrevista via skype estava me apavorando.

E a entrevista foi com o Nato e em português nooooossa, que alívio.

 

Na madrugada do dia 07 de setembro recebi o email informando que eu era uma Unogwaja. Que felicidade, meu coração disparou e eu chorei novamente até desidratar. Kkk e acordei todos meus amigos e familiares na madrugada mesmo.

 

 

A preparação...

 

Eu montei um plano do que eu precisaria fazer para chegar no dia 20.05, data do meu embarque para Cape Town, com tudo pronto.

Muitas coisas deram certo e muuuitas outras não e a rota foi sendo corrigida conforme o andar da carroça.

Foi muito trabalhoso e intenso, ao mesmo tempo em que eu me movimentava para alcançar o meu objetivo, um grande numero de pessoas se movimentava também, a cada dia que passava eu recebia um novo apoio e meu coração se enchia de esperança, esperança de que os corações estavam sendo tocados e esperança de que eu poderia ajudar a levar um mínimo de condições melhores a outras pessoas.

Durante o dia eu tinha que trabalhar, treinar bike, treinar corrida, fazer musculação para que meu corpo suportasse a carga, fazer contatos, muuuuitos contatos, conseguir apoios, conversar com a pessoas explicar o que era o Unogwaja, fazer as pessoas entenderem que o que eu estava pedindo era para doações para as instituições e não para me ajudar a viajar para pedalar e correr pela África, comer e comer corretamente, ir atrás de tudo e de todos, ufa, era punk, mas era animador, pois a cada dia eu acordava e repetia o processo todo novamente e assim os resultados foram aparecendo.

Os simpatizantes da causa foram se mostrando e pouco a pouco eu fui conseguindo tudo o que era preciso, inclusive uma bike top emprestada pelo amigo de uma amiga, que não me conhecia, mas que quis auxiliar o projeto da forma que poderia.

O tempo passa muito rapidamente, e quando me dei de conta estava em cima da hora e ainda faltava muita coisa para providenciar:

  • Minhas aulas de inglês prosseguiam, meu progresso com a língua era pequeno...

  • o treinamento não estava bom, sentia que era pouco tempo para aprender tudo o que era necessário no ciclismo, mas fiz o que o treinador orientou, entendi que eu deveria trabalhar mais força de pedal e o resto surgiria,

  • as dores intermináveis, assaduras e lesões também me acompanharam durante todo o processo,

  • a arrecadação estava difícil e fui vendo que não conseguiria cumprir o último prazo do depósito, que decepção me deu, foram noites difíceis, que iam do medo de não conseguir o dinheiro ao pânico de não ter como conseguir... mas outro aprendizado: Confiança e ação. Procurei manter minha mente e coração abertos para tudo e assim tudo ia se ajeitando. Consegui as doações e consegui também muito apoio de amigos e empresários que me ajudaram muito nessa empreitada. Eu acredito que eles se sentiram parte do projeto. Sentiram que eram Unogwajas como eu e meus companheiros.

 

 

Na África

 

Sempre houve o medo do desconhecido...e quanta coisa desconhecida.. kkkk

Regras, horários, programação, alimentação, tudo feito nos mínimos detalhes para que estivéssemos no décimo primeiro dia, na largada da Comrades, e mais ainda, para que estivéssemos sempre em segurança e em condições.

Mas mesmo assim foi dureza, não é tarefa fácil, acredito que nem para o mais forte dos ciclistas que estava no pelotão.. Pedalar dez horas em média por dia, durante dez dias e ainda com a missão de correr a Comrades e fugir dos pontos de corte, te digo uma coisa: “Puxa vida” é chão....e isso só faz quem está com o coração lotado até os tampos de certeza absoluta de que o que está fazendo tem um propósito maior, está com o coração transbordando de amor, determinação, coragem, solidariedade, aceitação e humildade.

Em muitos momentos o que nos salvava o dia era a humildade, o respeito, o carinho e a amizade que tínhamos uns com os outros.

 

Gostaria de agradecer do fundo do coração tudo que recebi por ocasião desse projeto. Agradeço por mim e pelas pessoas que recebem  essa ajuda lá na África.

Os meus amigos, familiares, profissionais do esporte e empresários são testemunhas e grandes colaboradores deste feito.

Quero dizer a todos que fiz o meu melhor para representar com muito carinho e respeito eu mesma, meus amigos e familiares, meus apoiadores, minha cidade e meu país.

Fui com o pouco que consegui em tão curto espaço de preparação... Mas podem acreditar fui com todo meu coração.  Foi intenso, foi duro e foi a melhor coisa que já fiz.

Em todos os dias enfrentei meus medos, situações de risco (pela pouca experiência em ciclismo), enfrentei a convivência com pessoas diferentes e incríveis, enfrentei o desconhecido a cada madrugada que iniciava um novo pedal.

Entendi que é muito mais do que pedalar e correr.

Entendi o quanto sou forte física e emocionalmente e entendi que devo usar essa força para auxiliar quem precisa.

Entendi o que é desprendimento, o que é liderança forte sem deixar de ter carinho e aprendi muito sobre amizade, colaboração, amor e que todos podemos sim, mesmo que um pouquinho, colaborar para que esse nosso mundo que é tão lindo seja melhor.

 

Estou muito feliz e agradecida e isso parece que não cabe em mim, deve ser por isso que vou as lágrimas tão facilmente.  Obrigada mesmo. Se estive na África como uma Unogwaja foi pela atitude das pessoas que foram tocadas pelo espírito de amor que é o Unogwaja e a Comrades.

 

Um forte e longo abraço... até a próxima.

 

 

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

Siga
Please reload

Procurar por tags
Please reload

Arquivo
  • Facebook Basic Square
  • Twitter Basic Square
  • Google+ Basic Square

© 2017 Desafio Bike & Foot 900